segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Vida

Canta um choro de poeta
Num sonho incerto mergulhado,
Vozes e sons chamando, desesperando
Ajuda, que vem de parte incerta.

Corta as veias ao mundo e desperta!
Cantam murmurios aflitos de afogado.
O negro das ruas e pessoas gritando
Letras, num papel de cor incerta

Esconde ideias do mundo que te chama,
Grita! Foge! Supera-te! Vence! Adormece...
Canta uma canção que entristece...

Acorda de subito saltando da cama,
Mergulha na multidão que te aquece...
Vive vivendo esperando. O futuro, Acontece.

Fernando Ramos 21-10-2007

4 comentários:

Anónimo disse...

"Corta as veias ao mundo e desperta" é, sem dúvida, uma imagem forte e marcante, caro Fernando! Vejo que, com o lento fluir do tempo que tanto nos atormenta, a tua evolução no campo poético é óbvia! Que tanta loucura e tanta timidez simultânea não te lancem no abismo da incerteza, pois nada é mais real do que a alma.
Se continuares assim, temo que o próprio Pessoa, que, por sinal, tinha uma alma infinita, venha, nos dias frios de triteza acumulada, reclamar como unicamente seu a capacidade de escrever poemas de amor tão sentidos como aqueles que aqui nos mostras. Com alguma sorte ainda vives uma história como a de Pessoa/Ofélia, mas espero sinceramente que dispenses o tratamento de "bebé", caso contrário, ainda te vejo um dia na rua com uma bela chucha na boca e respectiva fralda!! :D
Queria comentar apenas este poema e acabei por mencionar os outros, mas, uma vez que o texto está escrito, assim permanecerá.
Não obstante o mundo duvidoso que cada vez mais é uma realidade, o Futuro é sempre uma porta ambígua, reforçada com a experiência do presente e as memórias do passado! E, deste modo, nada como continuar a lutar por aquilo que supomos verdadeiro e necessário, independentemente de sabermos antecipadamente que essa luta será infrutífera! Que o seja. Mas uma coisa nunca será: em vão...

Filipa F.

Balbino disse...

Os aviões antes de ser inventados, tiveram de fazer protótipos. Esses protótipos eram de papel. =)

Um abraço. Prazer pisar o palco ao teu lado!

A Bruxa das PAPs disse...

Ai os acentos...! Ou melhor, a falta deles...!
Beijinhos

A Bruxa das PAPs disse...

Gostei imenso de saber que os aviões tiveram de fazer protótipos...
Beijinhos