Olho as árvores da minha janela. Nos seus ramos, folhas verdes dançam ao sabor da aragem da tarde meio nublada neste dia de Verão.
Cheira bem, tenho a janela aberta. Parece que esteve a chover, cheira a terra e a calor, e a brisa do mar dá um toque suave neste cheiro tão característico, que se repete todos os Verões.
Está um dia quente e triste... porque é que hoje, logo hoje, as nuvens decidiram tapar o Sol? Precisava de ver cores vivas e alegres... mas não, está tudo coberto de cores pálidas e tristes, cores escuras e sem brilho até perder de vista...
Contigo, as cores ficariam mais alegres, mais brilhantes e luminosas. Mesmo esta tarde de Verão quente e nublada, poderia converter-se na tarde mais sublime da minha vida.
Em vez de sentir apenas a leve brisa a tocar na minha face, poderia sentir a brisa das tuas mãos a tocar na minha face, em vez de ver folhas tristes e pálidas, poderia ver os teus grandes e lindos olhos brilhantes que meteriam inveja ao diamante mais precioso, se ele estivesse a olhar-te olhos nos olhos como eu já te olhei.
Mas quem quereria encarar a pessoa que magoou o coração e o olhar de algém, que irradia um olhar tao brilhante?
Desculpas e perdões não resolvem soluções, não apagam marcas do passado, nem fazem o tempo voltar para trás.
Por isso, viverei, com o cheiro a terra molhada, e com a brisa que tem um toque de mar, esperando que um dia venhas ao meu encontro, e enchas de vida este meu mundo que quero que exista brilhante e cheio de cores.
F.R. 03-07-2007