terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mais perto de ti

Um dia,
Não vou mais olhar para o céu
Para ver o brilho das estrelas

Nem esperar que a chuva cesse
Para contar as cores do arco-íris

Não irei mais sentar-me observando
O mar se despedaçando no areal

Nem ver a base do mundo
Do cimo da mais alta montanha

Mais perto de ti, verei tudo o que te disse,

Porque no teu olhar
Poderei ver espelhado
Os mais belo sonhar
Alguma vez sonhado.


Fernando Sarmento Ramos
14/12/2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Menina de Olhos Cor do Mar

A menina de olhos cor do mar
Com que eu um dia sonhei,
Apareceu, subitamente e sorridente,
Das profundezas da minha imaginação.

Falou-me e olhou-me e começou a cantar
E foi, nesse instante, que eu reparei
Que alguma coisa estava diferente.
Ganhou vida, e encheu-me o coração.

Ao som da sua voz numa noite de luar,
Olhei-a bem nos olhos, sorri e beijei.
Um silêncio pairou no ar certamente,
O mundo girou, o nosso amor não.

Tenho o meu Eu no azul celeste a flutuar
Procurarei para sempre quem não encontrei
O vazio, ermo sem fim, ponte distante.

"Menina de olhos azuis,
Azuis da cor do mar,
Um dia vou-te encontrar."

Dirá aquele rapaz, o tal,
O que sonha sem pensar
E que pensa sem sentido

Menina de olhos azuis,
Azuis da cor do mar,
Aparece mais uma vez
Aparece para te amar.

Fernando Sarmento Ramos

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Noite dos loucos

Naquela noite senti, pela primeira vez
O teu cheiro e o sabor da tua boca.
Doce sabor, doce olhar, uma noite.
Eram altas horas da madrugada
Quando do nada os lábios em fogo
De dois loucos se tocaram.
Beijos de maldade com ternura
E um silêncio de morte que pairava no ar,

Numa cama, num quarto tosco,
E a luz do luar que espreitava pela janela
Deixou-me com ciúmes por te dizer que és bela.
Só a Lua viu o que nem nós queríamos ver
Só ela sabe como ficamos a sofrer.

Amar por uma noite, sonho de uma vida.
Tanta gente que vive e que morre,
E que vive toda a vida a dizer que ama.
Não. Amor, só se ama uma vez,
E essa vez, só ao avistar a morte,
Saberemos em que noite é que foi.


Fernando Sarmento Ramos.

9-11-2008 16:16

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Trilhos...




A vida é feita de trilhos e caminhos que se cruzam.
Uns tão diferentes que se unem e outros tão parecidos e que nunca se chegam a tocar.
O que é certo, é que no fim, uma onda vem limpar a areia deixando assim o caminho limpo para dar início a uma nova caminhada.
Fernando Ramos

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Palco da vida

Dediquei este poema a uma amiga.


Sou a verdade que vive só em mim
Corpo imundo que vagueia sem razão
Que vive a vida para morrer no fim
Tentando perdoar e querendo o perdão

Amor de criança que um dia senti
Doce tormento que nunca esqueci
Amigo perdido nos braços que amei
Amor traido nunca mais te encontrei

Sonhos... como são belos...
E quando acordamos, a dor que sentimos
Por ver este mundo em que existimos...
Vazio de emoção, plástico sem coração.

Vivemos no palco de ilusão
E, a verdade, é que no Teatro de mentira
Somos todos mais verdadeiros
Que a verdade na realidade da vida.

Fernando Ramos 19-Ago-2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Mulher...

Quantos lábios ja provaste
Nos beijos humedecidos
Que dizem que te amam
E que depois são esquecidos

Quantas vozes te disseram
Murmurando baixo ao ouvido
Palavras de amor eterno
Que nunca foi correspondido

Tantos olhares se cruzaram
Nos teus olhos ternos e meigos
Quantos punhais já cegaram
A visão de aventureiros

Tantas foram as promessas
E mentiras e incertezas
E a tua voz sempre doce
De deusa adormecendo

Labios finos e doces
Cheios de veneno de amor
Mordes o coração dos homens
E foges para saboreares a dor

F.R. 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

Confissão

Mar...
És um ser vivo
que sem viver
me dá a vida.

És um monstro
quando te agitas incerto,
mas perfeito, quando
nas noites de luar
me fazes companhia.

Mar...
É em ti que me deito
em ti que toco e me deleito
p'ra esquecer a incerteza
da existência do meu pobre ser.

Estou em ti e sinto-te
mas não te consigo abraçar,
nem tocar, nem ver o que está
no fundo da vastidão
da tua transparência.

Mar...
Quem sou eu para saber
o que vai acontecer
quando te ouvir murmurar
palavras incompreensíveis?

Gostava de ser livre
como tu és... livre e gigante
e dono de ti próprio
e forte, e rebelde, e
sensível...

Sou um pobre homem
que, respeitando a tua liberdade
apenas quer ser feliz.

Mar...
Não causes mais tempestades...
lembra-te da tua beleza
quando, ao fim do dia
me ofereces o pôr-do-sol.

Fernando Ramos 31-III-2008

quinta-feira, 6 de março de 2008

M A R

Um dia
aventurei-me a navegar
p'lo mais precioso Mar
que jamais pude encontrar.

Mas o Mar não me amou...
fez surgir tempestade
e a minha embarcação virou.

Nadei sem parar,
sem rumo sem norte
e na praia fui acordar...

Numa ilha deserta
que fica em parte incerta
um náufrago estava a chorar.

Pus-me de pé com todas as forças
segui hesitante no meio das rochas
e naveguei de novo p'ra outro Mar.

Ondas e Tempestades
tantas dores e crueldades
que me deixam a gritar.

Percebi no fim de tudo
que só naquele único Mar
conseguia Amar e Acreditar.

Tentei navegar e partir p'ra não ficar
mas por a Terra ser esfera redonda
vim parar ao mesmo lugar.

Peço-te
não causes tempestades
usa as ondas como braços
e abraça-me para sempre.

M a r . . .

Fernando Ramos
04-III-2008

Submissão

Surges...
Como se das cinzas
de um grande amor
tudo voltasse a renascer.

Quero-te... não te minto.
Há um fogo que arde sem fim
que consome a dor que eu tenho
de me querer afastar de ti.
Peço-te... Sonha!

Olha bem para o mundo
e pensa por um segundo
que comigo serias feliz.
Fernando Ramos
04-III-2008

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Saudade perdida

Calado, mudo, recordo-me de ti.
Daqueles beijos suaves e doces
Que costumavamos dar por ai

Lembro o passado, tardes que perdi
Abraçados e mudos trocando meiguices
Até me dizeres que o fim era ali

Distância e saudade, dor, que eu senti
Na tua boca vejo labios que nem tu conheces
A provarem o doce e amargo sabor de quem ri

És do passado, vaga lembrança, ausente daqui
Posso sorrir já não me entristeces
Adeus, talvez um dia destes, te veja sozinha por ai...

Fernando Ramos 10-I-2008