quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Coração vazio...

Coração onde o vento entra e tudo leva,
Retirando de mim todos os sonhos,

Coração partido em mil pedaços de barro
Perdido em pó gasto apagado

Coração ferido pelo tempo,
Que tudo me dá mas logo tudo me tira,

Esconde-se no abismo do mar
Voa para longe céu negro profundo

Que entristece meu ser e enfermo me deixa

É carne feita pedra de sentimentos intransponíveis

É pedra em que a água bate, aliviando minha dor,
Acariciando minhas feridas, consolando meu choro

É pedra em que fogo arde, abrasando minha dor,
Corroendo minhas feridas, evaporando meu choro

Pedra onde um dia a sereia te encontrará,
Curará tua ferida aliviando tua dor,
Estancando teu choro e devolvendo-te o sorriso,

Criatura mitológica, inexistente
Como o meu amor que está morto em vida

Amor que nunca morre enquanto a vida existe,
Amor consciente inexistente de dor,
Amor que um dia te darei

Amor... que um dia te darei.

Acredito!

Acredito!


Acredito que um dia te vou encontrar,
Um dia, quando menos esperar
No dia onde as dúvidas deixarão de existir
E finalmente te verei a sorrir

Onde poderei ver se a verdade existe no teu olhar,
E sem dizer uma palavra dizer que te quero
Onde o primeiro minuto ditará o futuro
Se os teus lábios tiverem, o sabor que desejo

Se os meus lábios desejares a quem pertencerá o futuro?
O destino guardará os segredos do nosso mundo
Aquele mundo distante, que um dia criamos,
Aquele mundo onde tudo é possivel e o impossivel nos rodeia,

Lugar perdido em pensamentos distantes
Ideia de alguém sem nunca ter conhecido
Lugar onde o sol brilha e permanece a alegria,
E neste preciso momento em que te posso tocar

Nesse momento onde a tua mão vou tocar,
Não bastará simplesmente acreditar
Acredito, num sentimento esquecido,
Que tanto tu e eu o queremos recordar,

Simplesmente acredito que um dia será possível amar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pensamento

Plantei uma árvore
Que não posso tocar
Escrevi um livro
Que não poderei publicar
Sonho com um filho
Que não sei se irá nascer

Afinal o que é viver...?

Fernando Sarmento Ramos 15-09-2009

domingo, 19 de julho de 2009

Conversa

Fala comigo ó mar
Diz-me o que vês e o que sentes
Eu escuto a tua voz grave e profunda.

Tu compreendes tudo
És força e vida e deus!
Mistura de almas desaparecidas
Repouso de tesouros e de vidas.

Fala comigo ó mar
Liberta-me, solta o meu pensamento.
Eu espero, e tento ao teu cantar adormecer.

Tu és uno, passado e futuro.
Grito silêncioso que acorda o mundo
Devorador de astros e amor de apaixonados
Sentimento, tempo, e a sereia a cantar.


Fernando Sarmento Ramos 19-03-2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Frio Nevoeiro

Começa a clarear a manhã de nevoeiro.
O frio corta a pele e penetra na carne e na alma.
Lâmina cor cinza prata manchada de encarnado...
O Sol tarda em aparecer... o tempo passa indiferente, imortal.
Só a alma do Homem sempre descontente, roga pragas para se aquecer.
Tudo é cinzento, húmido e frio.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mais perto de ti

Um dia,
Não vou mais olhar para o céu
Para ver o brilho das estrelas

Nem esperar que a chuva cesse
Para contar as cores do arco-íris

Não irei mais sentar-me observando
O mar se despedaçando no areal

Nem ver a base do mundo
Do cimo da mais alta montanha

Mais perto de ti, verei tudo o que te disse,

Porque no teu olhar
Poderei ver espelhado
Os mais belo sonhar
Alguma vez sonhado.


Fernando Sarmento Ramos
14/12/2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Menina de Olhos Cor do Mar

A menina de olhos cor do mar
Com que eu um dia sonhei,
Apareceu, subitamente e sorridente,
Das profundezas da minha imaginação.

Falou-me e olhou-me e começou a cantar
E foi, nesse instante, que eu reparei
Que alguma coisa estava diferente.
Ganhou vida, e encheu-me o coração.

Ao som da sua voz numa noite de luar,
Olhei-a bem nos olhos, sorri e beijei.
Um silêncio pairou no ar certamente,
O mundo girou, o nosso amor não.

Tenho o meu Eu no azul celeste a flutuar
Procurarei para sempre quem não encontrei
O vazio, ermo sem fim, ponte distante.

"Menina de olhos azuis,
Azuis da cor do mar,
Um dia vou-te encontrar."

Dirá aquele rapaz, o tal,
O que sonha sem pensar
E que pensa sem sentido

Menina de olhos azuis,
Azuis da cor do mar,
Aparece mais uma vez
Aparece para te amar.

Fernando Sarmento Ramos

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Noite dos loucos

Naquela noite senti, pela primeira vez
O teu cheiro e o sabor da tua boca.
Doce sabor, doce olhar, uma noite.
Eram altas horas da madrugada
Quando do nada os lábios em fogo
De dois loucos se tocaram.
Beijos de maldade com ternura
E um silêncio de morte que pairava no ar,

Numa cama, num quarto tosco,
E a luz do luar que espreitava pela janela
Deixou-me com ciúmes por te dizer que és bela.
Só a Lua viu o que nem nós queríamos ver
Só ela sabe como ficamos a sofrer.

Amar por uma noite, sonho de uma vida.
Tanta gente que vive e que morre,
E que vive toda a vida a dizer que ama.
Não. Amor, só se ama uma vez,
E essa vez, só ao avistar a morte,
Saberemos em que noite é que foi.


Fernando Sarmento Ramos.

9-11-2008 16:16

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Trilhos...




A vida é feita de trilhos e caminhos que se cruzam.
Uns tão diferentes que se unem e outros tão parecidos e que nunca se chegam a tocar.
O que é certo, é que no fim, uma onda vem limpar a areia deixando assim o caminho limpo para dar início a uma nova caminhada.
Fernando Ramos

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Palco da vida

Dediquei este poema a uma amiga.


Sou a verdade que vive só em mim
Corpo imundo que vagueia sem razão
Que vive a vida para morrer no fim
Tentando perdoar e querendo o perdão

Amor de criança que um dia senti
Doce tormento que nunca esqueci
Amigo perdido nos braços que amei
Amor traido nunca mais te encontrei

Sonhos... como são belos...
E quando acordamos, a dor que sentimos
Por ver este mundo em que existimos...
Vazio de emoção, plástico sem coração.

Vivemos no palco de ilusão
E, a verdade, é que no Teatro de mentira
Somos todos mais verdadeiros
Que a verdade na realidade da vida.

Fernando Ramos 19-Ago-2008