terça-feira, 28 de agosto de 2007

A Mar ausente

Sento-me no muro junto ao mar e fico a pensar. Pensar e pensar e tento chegar a alguma conclusão, tento ver a minha realidade e o que está a acontecer, para que no meu peito o meu coração não fique a doer.
É como quando se trespassa o peito de alguém com uma faca ou uma espada, sabemos que doi, sabemos que provocamos dor na outra pessoa, e inexplicavemlente sentimo-nos bem a provocar essa dor nos outros.
Quando somos nós a sentir essa dor, não queremos acreditar no que está a acontecer, tentamos fugir, tentamos lutar, tentamos pensar que não está a acontecer nada, que não se passa nada, mas está a acontecer, e nada consegue aliviar essa dor.
É como quando choramos porque alguém nos deixou, ou dizemos o contrario daquilo que realmente queremos, mostramos sempre o contrário, eu digo que nunca mostro, ou tento nunca mostrar esses meus pontos fracos, não choro na frente de quem amo se estiver triste e angustiado, e digo para me largarem, para me deixarem quando quero que fiquem comigo, quando quero que mais fiquem comigo. Será isto um mero orgulho estupido?
E quando procuramos nos outros um amor que não existe? E nos enganamos uma e outra vez, e tudo é um eterno retorno... As pessoas conhecem-se, aproximam-se, amam-se e depois deixam-se e esquecem-se...
Será que isso é vida? Será que os relacionamentos são assim tão banais?
Conhecer, comer e deitar fora... e tudo se repete uma e outra vez até chegar o fim.
Alguns vêm o que acontece e seguem a corrente, outros isolam-se, outros tentam compreender o porquê de tudo sem nunca encontrar resposta para nada, outros como eu, deixam a vida correr, e têm noção de que tudo acontece e mesmo assim, quando menos esperam, ficam com os olhos cheios de areia e deixam o Mar destruir um lindo castelo que pensavam ser sólido, mas que não passa de areia que não tinha forma, e que voltará a não ter forma.
O castelo de areia? Ficará na memória até que ambos se esquecerem que ele existiu.

F.R.

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